
Cirurgia Oncológica
A Cirurgia Oncológica é a especialidade médica dedicada ao tratamento cirúrgico dos tumores benignos e malignos, atuando de forma integrada no diagnóstico, estadiamento e tratamento do câncer. Mais do que a simples remoção de uma lesão, a cirurgia oncológica exige conhecimento profundo da biologia tumoral, da anatomia cirúrgica e do comportamento das doenças neoplásica.
O cirurgião oncológico é responsável por realizar procedimentos com margens oncológicas adequadas, respeitando princípios técnicos rigorosos que reduzem o risco de recidiva e permitem melhor controle da doença. Além disso, muitas vezes a cirurgia é fundamental para a confirmação diagnóstica por meio da análise anatomopatológica e para a definição das etapas seguintes do tratamento, como quimioterapia ou radioterapia.
A precisão é um dos pilares da especialidade. Cada decisão cirúrgica é individualizada, levando em consideração o tipo de tumor, sua localização, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. O objetivo é sempre alcançar o melhor resultado oncológico possível, associado à preservação da função, segurança e qualidade de vida.
Na cirurgia oncológica, técnica, ciência e cuidado caminham juntos, oferecendo ao paciente um tratamento baseado em evidências, planejamento detalhado e atenção integral em todas as fases da doença
Tumores tratados:

Tumores do Trato Ginecológico
Útero – Endométrio e Corpo Uterino
O útero é um órgão muscular responsável pela gestação. Seu revestimento interno, o endométrio, sofre estímulo hormonal ao longo da vida reprodutiva. Alterações nesse equilíbrio podem levar à hiperplasia endometrial e ao câncer de endométrio, o tumor ginecológico mais comum após a menopausa.
O principal sintoma é sangramento uterino anormal, especialmente após a menopausa. A cirurgia permite a retirada do útero e anexos, além do estadiamento adequado da doença.
Colo do Útero e Lesões Pré-malignas
O colo do útero conecta o corpo uterino à vagina e está sujeito à infecção persistente pelo HPV, principal fator associado ao câncer cervical. Antes do câncer invasivo, surgem lesões precursoras, detectáveis por exames de rastreamento.
A cirurgia é fundamental tanto no tratamento das lesões pré-malignas quanto nos tumores invasivos, evitando progressão e permitindo altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.
Ovários e Trompas
Os ovários produzem hormônios e liberam os óvulos; as trompas conduzem o óvulo até o útero. Tumores ovarianos podem crescer silenciosamente, causando distensão abdominal, dor pélvica e alterações intestinais ou urinárias.
A cirurgia tem papel central no diagnóstico, estadiamento e tratamento, sendo essencial para definir a extensão da doença.
Vulva e Vagina
São estruturas do trato genital inferior, com função de proteção e relação sexual. Tumores dessas regiões podem se manifestar como lesões visíveis, dor, prurido ou sangramento. A abordagem cirúrgica permite a retirada completa da lesão e avaliação histopatológica.
Tumores da Mama
A mama é composta por tecido glandular, ductal e adiposo, tendo como função principal a produção de leite.
Nódulos podem ser benignos ou malignos. Alterações como nódulos palpáveis, retrações, secreções ou mudanças na pele exigem investigação.
O câncer de mama é um dos tumores mais frequentes na população feminina, embora também possa ocorrer em homens. Os principais sinais de alerta incluem nódulos palpáveis, alterações na pele da mama, retração do mamilo, secreção anormal e mudanças no formato da mama.
A investigação envolve exame clínico, mamografia, ultrassonografia e, quando necessário, ressonância magnética e biópsia. O tratamento cirúrgico é um dos pilares da abordagem oncológica, podendo variar desde cirurgias conservadoras até procedimentos mais extensos, sempre respeitando critérios de segurança oncológica e preservação estética quando possível..
A cirurgia é parte fundamental do tratamento, podendo ser diagnóstica ou terapêutica, com técnicas que buscam segurança oncológica e preservação estética.
Tumores e Lesões de Pele
A pele é o maior órgão do corpo humano e atua como barreira de proteção contra agentes externos. A exposição solar excessiva e cumulativa é o principal fator de risco para o desenvolvimento de tumores cutâneos.
Carcinoma Basocelular
É o tipo mais comum de câncer de pele. Origina-se das células basais da epiderme e apresenta crescimento lento, com baixo risco de metástase. Geralmente se manifesta como uma lesão perolada, ferida que não cicatriza ou mancha avermelhada. A cirurgia é o tratamento de escolha, com altas taxas de cura quando realizada precocemente..
Carcinoma Espinocelular
Surge das células escamosas da pele e apresenta comportamento mais agressivo que o basocelular, podendo invadir tecidos profundos e gerar metástases. Pode aparecer como placas endurecidas, lesões ulceradas ou feridas persistentes. A ressecção cirúrgica adequada é fundamental para controle da doença.
Melanoma
É o câncer de pele mais agressivo, originado dos melanócitos. Pode surgir em pintas pré-existentes ou como novas lesões pigmentadas, geralmente com crescimento assimétrico, bordas irregulares e variação de cor. O diagnóstico e tratamento cirúrgico precoces são decisivos para o prognóstico já que esse subtipo possui alto potencial metastático. A detecção precoce e a cirurgia adequada são determinantes para o prognóstico.
Tumores do Trato Gastrointestinal
Tumores de Esôfago
O esôfago é um órgão tubular do trato digestivo responsável por conduzir o alimento da boca até o estômago por meio da deglutição.
O câncer de esôfago é mais frequente em homens e apresenta dois principais tipos histológicos, que se diferenciam pela localização e pelos fatores de risco. Um tipo ocorre mais frequentemente na porção média do esôfago e está associado principalmente ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool. O outro tipo acomete a porção distal, próxima ao estômago, e está relacionado à doença do refluxo gastroesofágico, obesidade e alterações pré-malignas da mucosa.
Os sintomas costumam surgir de forma progressiva, sendo os mais comuns a dificuldade para engolir (disfagia), perda de peso e sensação de alimento parado no peito. Diante desses sinais, é fundamental a investigação especializada, geralmente iniciada com endoscopia digestiva alta e exames de imagem. A cirurgia desempenha papel central no tratamento, especialmente em casos diagnosticados precocemente.
Tumores de Estômago
O estômago é o órgão responsável pelo armazenamento temporário dos alimentos e pelo início do processo digestivo, por meio da ação de enzimas e ácido gástrico. Ele conecta o esôfago ao intestino delgado e possui diferentes regiões anatômicas, o que influencia diretamente o tipo de tumor e a estratégia de tratamento.
O câncer gástrico é um dos tumores mais frequentes no Brasil, especialmente entre homens. Pode se originar em qualquer uma das camadas do estômago e apresenta diferentes subtipos histológicos. Tumores localizados na porção superior do estômago podem exigir tratamento cirúrgico que envolva também o esôfago.
Entre os principais fatores de risco estão a infecção pelo Helicobacter pylori, hábitos alimentares inadequados, obesidade, tabagismo, lesões pré-malignas e algumas síndromes genéticas. Os sintomas mais comuns incluem perda de peso, dor abdominal, sensação de saciedade precoce e dificuldade para se alimentar.
A cirurgia é um dos pilares do tratamento e tem papel essencial na busca da cura.
Tumores de Cólon, Reto e Ânus
O cólon, também chamado de intestino grosso, é a porção final do trato digestivo, responsável pela absorção de água e pela formação das fezes. Ele é dividido em cólon ascendente, transverso, descendente e sigmoide, continuando-se pelo reto e, por fim, pelo ânus.
Os tumores colorretais estão entre os mais comuns tanto em homens quanto em mulheres no Brasil. Os sintomas variam conforme a localização da lesão e podem incluir alterações do hábito intestinal, dor abdominal, distensão abdominal, vômitos após alimentação, anemia e sangramento nas fezes.
Esses tumores estão associados a fatores genéticos, alimentação rica em gorduras e pobre em fibras, sedentarismo e outras condições clínicas. O tratamento cirúrgico é fundamental, sendo muitas vezes a principal forma de controle da doença e, em casos iniciais, de cura.
Fígado, Pâncreas e
Vias Biliares
Fígado
O fígado é um órgão vital, localizado no abdome superior direito, responsável por funções essenciais como metabolismo de nutrientes, produção de proteínas, armazenamento de vitaminas, produção da bile e desintoxicação do organismo. Devido à sua intensa atividade metabólica e vascularização, o fígado pode ser acometido por diferentes tipos de tumores.
Os tumores hepáticos podem ser primários, quando se originam no próprio fígado, ou secundários (metastáticos), quando se originam em outros órgãos, como intestino, mama ou pâncreas. Muitos tumores do fígado são diagnosticados incidentalmente em exames de imagem, já que podem permanecer assintomáticos por longos períodos.
Quando presentes, os sintomas incluem dor abdominal no lado direito, aumento do volume abdominal, perda de peso, cansaço e icterícia. A investigação envolve exames laboratoriais, métodos de imagem como tomografia e ressonância magnética, além de biópsia em casos selecionados. A cirurgia é uma das principais opções terapêuticas, especialmente quando a doença é diagnosticada em fases iniciais.
Pâncreas
O pâncreas é um órgão localizado profundamente no abdome, com funções fundamentais tanto no sistema digestivo quanto no endócrino. Ele produz enzimas responsáveis pela digestão dos alimentos e hormônios importantes, como a insulina, que regula os níveis de glicose no sangue.
Os tumores pancreáticos podem acometer diferentes regiões do órgão — cabeça, corpo ou cauda — e apresentam comportamentos distintos conforme a localização. Tumores da cabeça do pâncreas frequentemente causam icterícia, enquanto lesões do corpo e da cauda podem permanecer silenciosas por mais tempo.
Os sintomas mais comuns incluem dor abdominal persistente, perda de peso, icterícia, alteração das fezes e cansaço. O diagnóstico exige investigação detalhada com exames de imagem de alta complexidade e, em alguns casos, biópsia.
Vias Biliares e Vesícula Biliar
A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado, responsável por armazenar e concentrar a bile, substância produzida pelo fígado que auxilia na digestão das gorduras. Alterações na vesícula podem causar sintomas importantes e, em alguns casos, evoluir para doenças mais graves. As vias biliares são o caminho que levam a bile até o intestino delgado.
O câncer de vesícula biliar e das vias biliares é raro, porém agressivo, e costuma ser diagnosticado em fases avançadas. A cirurgia é o tratamento principal tanto para doenças benignas sintomáticas quanto para tumores.
Os principais sintomas são icterícia, alterações de glicemia, dor abdominal, perda de peso. O diagnóstico exige investigação específica.
Lesões de Partes Moles e Linfonodos
Nódulos musculares, subcutâneos ou linfonodos aumentados podem ser inflamatórios ou neoplásicos.
As partes moles correspondem aos tecidos que sustentam e conectam o corpo, como músculos, gordura, nervos, vasos sanguíneos e tecidos conjuntivos. Esses tecidos estão distribuídos por todo o organismo e podem dar origem a diferentes tipos de tumores, tanto benignos quanto malignos.
Entre os tumores malignos das partes moles estão os sarcomas, que são considerados raros. Eles podem se desenvolver em músculos, gordura, nervos ou outros tecidos de sustentação. Por estarem presentes em diversas regiões do corpo, o diagnóstico pode ser desafiador e o tratamento varia conforme a localização e as características do tumor.
Os sarcomas acometem com maior frequência as extremidades, como braços e pernas, e, em segundo lugar, a região abdominal. A cirurgia permite biópsia ou ressecção completa e definição diagnóstica.
Linfonodos aumentados podem ser sinais de diversas doenças incluindo doenças inflamatório-infeciosas, metástases de lesões ou doenças hematológicas como linfomas. A investigação correta e o exame clínico são pontos chaves para o diagnóstico e tratamento
Tumores Urológicos
Tumores de Rim
Os rins são órgãos fundamentais para o equilíbrio do organismo, sendo responsáveis pela filtração do sangue, formação da urina, controle da pressão arterial e regulação de eletrólitos.
Os tumores renais são frequentemente identificados de forma incidental durante exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, realizados por outros motivos. Essas lesões podem surgir em diferentes regiões do rim e variam em tamanho e comportamento biológico.
Um dos sintomas mais associados é a hematúria, caracterizada pela presença de sangue na urina, embora muitos pacientes permaneçam assintomáticos. O tratamento depende da localização, tamanho e características do tumor, podendo incluir diferentes abordagens cirúrgicas. A investigação adequada é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.
Tumores de Bexiga e Ureter
Os ureteres são estruturas tubulares responsáveis por conduzir a urina dos rins até a bexiga. A bexiga, por sua vez, é um órgão muscular cuja função é armazenar a urina até sua eliminação. Tanto a bexiga quanto os ureteres são revestidos por um tipo específico de célula denominado urotélio, de onde se originam a maioria dos tumores dessas regiões.
Os principais sintomas incluem hematúria, dor ao urinar e desconforto abdominal ou lombar. A suspeita diagnóstica geralmente surge a partir de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que identificam alterações sugestivas.
O diagnóstico definitivo requer a retirada de parte ou da totalidade da lesão para análise histopatológica por meio de biópsia. A partir desse resultado, é possível determinar o tipo tumoral e indicar o tratamento mais adequado, frequentemente envolvendo abordagem cirúrgica.
Tumores de Próstata
A próstata é uma glândula exclusiva do sexo masculino, responsável pela produção de parte do líquido seminal. Está localizada abaixo da bexiga, à frente do reto, envolvendo a uretra — canal por onde passa a urina e o sêmen.
Devido à sua posição anatômica, a próstata pode ser avaliada por meio do toque retal, exame clínico importante para identificação de nódulos ou áreas endurecidas. O câncer de próstata é o tumor sólido mais frequente nos homens, excetuando os cânceres de pele não melanoma.
O risco aumenta com a idade, sendo mais comum após os 65 anos, embora possa ocorrer em homens mais jovens, especialmente na presença de histórico familiar. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia prostática, geralmente guiada por exames de imagem. O tratamento é individualizado, baseado nos achados histológicos e nas características clínicas do paciente.
Tumores de Pênis
Os tumores de pênis são raros, porém potencialmente graves quando diagnosticados tardiamente. A maioria se origina na mucosa da glande e do prepúcio, manifestando-se como lesões, feridas que não cicatrizam, sangramento ou alterações na coloração da pele.
O diagnóstico precoce é fundamental para melhores resultados e preservação funcional. A adoção de hábitos adequados de higiene íntima tem papel importante na prevenção. Além disso, existe associação com a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), também relacionado ao câncer do colo do útero.
Qualquer alteração persistente na região genital deve ser avaliada por um especialista, permitindo diagnóstico e tratamento em fases iniciais da doença.
Tumores de Testículo
Os tumores de testículo são considerados raros, representando cerca de 5% dos tumores malignos em homens. Diferentemente da maioria dos cânceres, acometem principalmente indivíduos mais jovens, entre os 15 e 50 anos de idade.
Os sinais mais comuns incluem nódulos palpáveis, aumento do volume testicular, endurecimento, dor ou sensação de peso na bolsa escrotal. Diante de qualquer alteração testicular, a avaliação médica deve ser realizada o mais precocemente possível.
O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais e estão associados a altas taxas de cura, reforçando a importância do autoexame e do acompanhamento especializado.



